Objectivo 2012

Em 2012, provavelmente, irei competir apenas a nível interno, e direccionando os principais momentos de forma, para campeonatos nacionais e provas de longa distância do respectivo campeonato nacional.

Enquanto não exitirem condições para o sonho se tornar realidade...

Realizando uma retroespectiva em relação ao meu passado desportivo, tudo começou em 1986, ainda atordoado e sobre a influência da medalha de ouro do Carlos Lopes, na maratona dos JO de Los Angeles, sonhei - mas não concretizei -, o sonho de ser um campeão no Atletismo, dedicando-me, principalmente, sobre a orientação do Jorge Miguel, a várias especialidades, conseguindo alguns resultados interessantes a nível local e regional. Em 1994, uma lesão no pé direito - o pé de apoio do barreirista, que afinal, nunca fui -, obrigou-me a reorientar a prática competitiva para o Duatlo e Triatlo, dando sequência lógica a uma experiência perturbadoramente positiva em 1992, no Triatlo de Peniche por estafetas, ao dividir esforço, na corrida a pé, com o Dr. Rui Miguel, o qual nadou e pedalou. No Duatlo e Triatlo, voltei a sonhar ser um campeão internacional - que uma vez mais, não fui -, e mesmo sem nunca ter sido um atleta dominador em nenhum dos 3 segmentos, fiz do treino regular, da combatividade e da perseverança as minhas armas e, afinal, o esforço recompensou, alcançando alguns títulos e resultados com destaque a nível nacional.

Entretanto, desde 2001, a minha vida pessoal, profissional e familiar mudou muito, e após 5 anos de ausência forçada, em 2005, o prazer que sinto pelo treino e pela competição, especialmente associados à prática do Triatlo/Duatlo, impulsionaram-me para o regresso à modalidade que não é apenas uma prática em si mesmo, tratando-se de um vício e uma paixão, muito difíceis de dominar, e que precisam de ser alimentados diariamente.

Este meu regresso ao Triatlo, está no extremo oposto ao daqueles indivíduos que vivem permanentemente insatisfeitos e frustrados por nunca terem sido aquilo que desejavam ser no desporto, e tudo fazem para provar aos outros que ainda são uns "campeões"; tenho pena destas pessoas, que nunca vão descobrir a verdadeira essência do desporto, ou seja, a superação pessoal, em respeito pelas regras, por si mesmo e pelos adversários. Assim, ao contrário do que sucedeu no passado, não pretendo ser um Campeão, não só porque a idade, o contexto familiar e profissional, bem como a qualidade dos adversários não o permite, mas acima de tudo porque a minha prática desportiva de competição está puramente orientada no sentido de divertir-me, ter prazer, traçar e alcançar novos objectivos. Tudo o resto é acessório!

"Sempre que um homem sonha, a obra nasce" é um chavão frequentemente utilizado, e ao longo da minha vida, sem invocar esta frase, tenho-a aplicado com frequência. Mesmo que o sonho não se concretize, NINGUÉM nos pode roubar o sonho, ou impedir de voltar a sonhar. Não concretizei até agora, nem irei concretizar o sonho de ser um Campeão, mas os sonhos também se podem redimensionar à realidade actual. E após terminar o Challenge Roth 2010, e no meio de um turbilhão de emoções e desgaste físico, emergiu um sonho do ano de 1992, quando assisti na Eurosport, ao mítico IRONMAN na Ilha de Kona, no Hawai, ganho por Mark Allen, uma das maiores referências de sempre da modalidade. Nesse dia, em frente ao televisor - ainda não tinha iniciado a prática do Triatlo -, instintivamente, o meu pensamento foi: "Um dia, eu quero estar ali!"

Após seis parágrafos, muitas frases, imensas palavras e letras para muitas sopas, ainda não foi em 2012 que alcancei o meu objectivo, mais um sonho desportivo: a presença no IRONMAN World Championship. Para lá chegar, terei que voltar a tentar  garantir um dos lugares de acesso, os famosos slot.

Portanto, continuo com duas etapas por cumprir. Caso ultrapasse com sucesso a primeira - o apuramento -, espero reunir condições para alinhar e concluir a segunda e última etapa. Vários portugueses já o conseguiram, por que motivo eu não irei conseguir? A primeira etapa não foi concluída com sucesso e, se bem me conheço - tão bem como ninguém -, o mais certo é voltar a tentar. Só ainda não sei quando será.